segunda-feira, 28 de abril de 2014

PROFESSORES/ESCOLA COMPETENTES.

O segundo aspecto mencionado pelos professores entrevistados diz respeito à escola e aos seus professores. Nele, estão implícitos os fatores advindos de uma direção comprometida com seus alunos e de professores competentes e atualizados. É mencionada a necessidade de uma escola que dê uma formação mais completa ao aluno, oferecendo atividades fora de sala de aula, como projetos e gincanas, favorecendo a convivência na comunidade escolar. Ou seja, a escolha de uma escola considerada de boa qualidade é um dos fatores que exerce influência no sucesso do aluno.
Referindo-se a uma escola de referência, Souza e Silva (2003) diz que

a qualificação se sustentava, dentre outras variáveis, na experiência e formação dos
professores, na preservação e funcionamento das instalações, no compromisso de
determinados grupos da unidade escolar com a manutenção da tradição da instituição e,
não menos importante, em função da possibilidade de selecionar, dentre um universo
ampliado de candidatos ao ingresso, alunos mais preparados. Assim, a manutenção da
qualidade se alimentava da distinção, historicamente conquistada por aquela unidade
específica de ensino (p. 136).

Mas, embora a qualidade da escola como um todo seja fundamental, sem sombra de dúvida, a grande estrela é o professor com sua dedicação, competência, motivação e prazer no que faz. Ele tem que ser competente e saber fazer uso dos recursos disponíveis, além de ter uma boa formação. Um dos entrevistados reforçou a necessidade de transformar o ato de ensinar e aprender em algo realmente prazeroso:

Posso observar que aluno aprende quando ele faz, quando põe a mão na massa, quando se diverte. Quando ele sente algum sentimento positivo em relação aquilo é que funciona. Tem que ter uma ligação afetiva para que aquele conhecimento se incorpore a ele. Senão só passa pela memorização.

A representação do professor como uma figura emblemática na vida do aluno pode ser muito marcante, chegando até mesmo a influenciar suas escolhas profissionais. É comum ouvirmos relatos de pessoas que testemunham serem os professores que marcaram suas vidas, não necessariamente os que mais tinham conhecimento dos conteúdos a serem administrados, mas aqueles que as perceberam como um ser único, uma pessoa.
Pode-se dizer que, apesar de todas as dificuldades enfrentadas pela escola nos nossos dias, ela ainda tem a representação de uma instituição séria que faz um importante diferencial na vida de quem a frequenta.

AUTOESTIMA DO ALUNO, INTERESSE EM APRENDER, FORÇA DE VONTADE.

Outro fator essencial para o sucesso de um aluno é o seu próprio interesse em aprender, sua força de vontade. Além da família e da escola, o próprio aluno tem um importante papel em seu sucesso escolar. Para vários dos entrevistados, em primeiro lugar, ele precisa acreditar nele mesmo.

Ressaltam, também, a importância de ter força de vontade e disciplina. E, para estar motivado, o aluno precisa acreditar no valor do que está fazendo. Um dos entrevistados afirma: “O sucesso tem que vir de uma consciência da importância de estudar”. É importante que o aluno interiorize a necessidade do estudo, da leitura, da regularidade. Lahire (1997) percebe que algumas crianças que apresentam sucesso escolar interiorizam certas regras em forma de “necessidades pessoais”. Esse autor realça a necessidade de se desenvolver a autonomia do aluno, ou seja, que ele aprenda a se “virar sozinho”, buscando entender suas deficiências para poder saná-las, procurar fazer uso dos recursos que estão à sua disposição como dicionários, mapas etc. Para Lahire (1997):

Todas as crianças parecem ter interiorizado precocemente (...) o sucesso escolar como uma necessidade interna, pessoal, um motor interior. Assim, elas têm menos necessidades de solicitações e de advertências externas do que outras crianças, e até parecem, às vezes, mais mobilizadas do que os pais (p. 197).

Dentro dessa categoria, uma questão importante levantada pelos professores diz respeito à seleção que o sujeito faz de amigos, das pessoas com quem vai se relacionar. Esse ponto também é sublinhado por Souza e Silva (2003): “As redes sociais priorizadas pelos estudantes em períodos escolares mais avançados, ocupam os papéis centrais no desdobramento de suas trajetórias escolares” (p. 144).

SAÚDE GERAL DO ALUNO.
O quarto fator mencionado na pesquisa é a saúde geral do aluno, em que é lembrada a importância de uma boa qualidade de vida que inclua a prática de esportes e uma boa alimentação.

Mas foi um item pouco valorizado entre os professores pesquisados, pois era citado de forma breve em meio a outros comentários. Foi percebido que a saúde só tem importância quando é referida a sua ausência, ou seja, só é percebida sua real importância quando o aluno está doente, tem alguma limitação física, faz uso de drogas, não tem boa alimentação.

RECURSOS ECONÔMICOS.


Como último fator, porém não menos importante, temos os recursos econômicos. A condição econômica do aluno é um fator que, na opinião de diversos professores, vai influenciar em seu possível sucesso. O aluno de baixa renda pode ter dificuldades para frequentar a escola, pois precisa, às vezes, por força de um biscate, faltar às aulas. Por outro lado, os recursos econômicos permitem ao aluno ter acesso a outras realidades, outras culturas por meio de viagens, ampliando, assim, sua visão de mundo. Permite, também, que as famílias planejem períodos de intercâmbio ou cursos específicos para a profissão que o filho deseja seguir. É comum encontrar crianças estudando em escolas bilíngues (criadas, principalmente, para atenderem a filhos de estrangeiros a serviço no Brasil) apenas porque planejam a continuação dos estudos em universidades no exterior. Atualmente, esse tipo de escola tem a representação de ser um lugar que oferece uma educação de ótima qualidade e, principalmente, de garantir a inserção do seu aluno em um mundo globalizado. Porém, todos os entrevistados concordam que, independente do fator econômico, o sucesso é uma possibilidade real.

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