PROFESSORES/ESCOLA
COMPETENTES.
O segundo aspecto mencionado pelos
professores entrevistados diz respeito à escola e aos seus professores. Nele,
estão implícitos os fatores advindos de uma direção comprometida com seus alunos
e de professores competentes e atualizados. É mencionada a necessidade de uma
escola que dê uma formação mais completa ao aluno, oferecendo atividades fora de
sala de aula, como projetos e gincanas, favorecendo a convivência na comunidade
escolar. Ou seja, a escolha de uma escola considerada de boa qualidade é um dos
fatores que exerce influência no sucesso do aluno.
Referindo-se a uma escola de referência,
Souza e Silva (2003) diz que
a qualificação se sustentava,
dentre outras variáveis, na experiência e formação dos
professores, na preservação e
funcionamento das instalações, no compromisso de
determinados grupos da unidade
escolar com a manutenção da tradição da instituição e,
não menos importante, em função da
possibilidade de selecionar, dentre um universo
ampliado de candidatos ao ingresso,
alunos mais preparados. Assim, a manutenção da
qualidade se alimentava da
distinção, historicamente conquistada por aquela unidade
específica de ensino (p. 136).
Mas, embora a qualidade da escola como
um todo seja fundamental, sem sombra de dúvida, a grande estrela é o professor
com sua dedicação, competência, motivação e prazer no que faz. Ele tem que ser
competente e saber fazer uso dos recursos disponíveis, além de ter uma boa formação.
Um dos entrevistados reforçou a necessidade de transformar o ato de ensinar e aprender
em algo realmente prazeroso:
Posso observar que aluno aprende
quando ele faz, quando põe a mão na massa, quando se diverte. Quando ele sente
algum sentimento positivo em relação aquilo é que funciona. Tem que ter uma
ligação afetiva para que aquele conhecimento se incorpore a ele. Senão só passa
pela memorização.
A representação do professor como uma
figura emblemática na vida do aluno pode ser muito marcante, chegando até mesmo
a influenciar suas escolhas profissionais. É comum ouvirmos relatos de pessoas
que testemunham serem os professores que marcaram suas vidas, não
necessariamente os que mais tinham conhecimento dos conteúdos a serem administrados,
mas aqueles que as perceberam como um ser único, uma pessoa.
Pode-se dizer que, apesar de todas as
dificuldades enfrentadas pela escola nos nossos dias, ela ainda tem a
representação de uma instituição séria que faz um importante diferencial na
vida de quem a frequenta.
AUTOESTIMA
DO ALUNO, INTERESSE EM APRENDER, FORÇA DE VONTADE.
Outro fator essencial para o sucesso de
um aluno é o seu próprio interesse em aprender, sua força de vontade. Além da
família e da escola, o próprio aluno tem um importante papel em seu sucesso escolar.
Para vários dos entrevistados, em primeiro lugar, ele precisa acreditar nele
mesmo.
Ressaltam, também, a importância de ter
força de vontade e disciplina. E, para estar motivado, o aluno precisa
acreditar no valor do que está fazendo. Um dos entrevistados afirma: “O sucesso
tem que vir de uma consciência da importância de estudar”. É importante que o
aluno interiorize a necessidade do estudo, da leitura, da regularidade. Lahire
(1997) percebe que algumas crianças que apresentam sucesso escolar interiorizam
certas regras em forma de “necessidades pessoais”. Esse autor realça a
necessidade de se desenvolver a autonomia do aluno, ou seja, que ele aprenda a
se “virar sozinho”, buscando entender suas deficiências para poder saná-las,
procurar fazer uso dos recursos que estão à sua disposição como dicionários,
mapas etc. Para Lahire (1997):
Todas as crianças parecem ter
interiorizado precocemente (...) o sucesso escolar como uma necessidade
interna, pessoal, um motor interior. Assim, elas têm menos necessidades de solicitações
e de advertências externas do que outras crianças, e até parecem, às vezes,
mais mobilizadas do que os pais (p. 197).
Dentro dessa categoria, uma questão
importante levantada pelos professores diz respeito à seleção que o sujeito faz
de amigos, das pessoas com quem vai se relacionar. Esse ponto também é sublinhado
por Souza e Silva (2003): “As redes sociais priorizadas pelos estudantes em
períodos escolares mais avançados, ocupam os papéis centrais no desdobramento
de suas trajetórias escolares” (p. 144).
SAÚDE
GERAL DO ALUNO.
O quarto fator mencionado na pesquisa é
a saúde geral do aluno, em que é lembrada a importância de uma boa qualidade de
vida que inclua a prática de esportes e uma boa alimentação.
Mas foi um item pouco valorizado entre
os professores pesquisados, pois era citado de forma breve em meio a outros
comentários. Foi percebido que a saúde só tem importância quando é referida a
sua ausência, ou seja, só é percebida sua real importância quando o aluno está
doente, tem alguma limitação física, faz uso de drogas, não tem boa
alimentação.
RECURSOS
ECONÔMICOS.
Como último fator, porém não menos
importante, temos os recursos econômicos. A condição econômica do aluno é um
fator que, na opinião de diversos professores, vai influenciar em seu possível
sucesso. O aluno de baixa renda pode ter dificuldades para frequentar a escola,
pois precisa, às vezes, por força de um biscate, faltar às aulas. Por outro
lado, os recursos econômicos permitem ao aluno ter acesso a outras realidades,
outras culturas por meio de viagens, ampliando, assim, sua visão de mundo.
Permite, também, que as famílias planejem períodos de intercâmbio ou cursos
específicos para a profissão que o filho deseja seguir. É comum encontrar
crianças estudando em escolas bilíngues (criadas, principalmente, para
atenderem a filhos de estrangeiros a serviço no Brasil) apenas porque planejam
a continuação dos estudos em universidades no exterior. Atualmente, esse tipo
de escola tem a representação de ser um lugar que oferece uma educação de ótima
qualidade e, principalmente, de garantir a inserção do seu aluno em um mundo globalizado.
Porém, todos os entrevistados concordam que, independente do fator econômico, o
sucesso é uma possibilidade real.
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